A transformação digital deixou de ser uma tendência para se tornar um dos principais pilares de crescimento no varejo. No setor farmacêutico, essa realidade é ainda mais evidente. O consumidor mudou, passou a pesquisar antes de comprar, busca conveniência, espera entregas rápidas e deseja uma experiência integrada entre os canais físico e digital.
Mas como uma rede com milhares de lojas espalhadas pelo Brasil consegue estruturar uma operação digital preparada para acompanhar essa nova realidade?
Essa foi a principal discussão do webinar “Do balcão ao digital: como a Farmarcas está construindo uma operação digital preparada para escalar”, promovido pela Econverse. O encontro reuniu Pedro Piramo, CEO da Econverse, Marcelo Dantas, Diretor de Inovação da Farmarcas, e Leandro Heitor, Head de Operações da Econverse, para compartilhar os desafios, as decisões estratégicas e os aprendizados por trás da transformação digital de uma das maiores administradoras de redes associativistas do varejo farmacêutico brasileiro.
Mais do que apresentar um case de sucesso, o webinar mostrou que construir uma operação digital escalável exige planejamento, integração entre áreas, tecnologia alinhada ao negócio e uma visão estratégica de longo prazo.
Quem é a Farmarcas?
Antes de entender os desafios do projeto, vale conhecer a dimensão da operação.
Fundada em 2012, a Farmarcas é uma das maiores administradoras de redes associativistas do varejo farmacêutico brasileiro. Seu propósito é fortalecer farmácias independentes por meio de tecnologia, gestão, inteligência de mercado e estrutura operacional, permitindo que pequenos e médios empreendedores aumentem sua competitividade sem abrir mão da autonomia.
Atualmente, a empresa reúne 11 redes associativistas, incluindo a Super Popular, e está presente em 26 estados e no Distrito Federal, com mais de 1.750 lojas distribuídas por mais de 700 cidades.
Esse porte traz oportunidades, mas também uma complexidade enorme quando o assunto é transformação digital.
Como conectar centenas de operações diferentes? Como oferecer uma experiência consistente ao consumidor? Como integrar estoques, sistemas e processos sem comprometer a autonomia das lojas?
Essas perguntas nortearam toda a construção da operação digital apresentada durante o webinar.
A transformação digital começa pelo consumidor — e não pela tecnologia
Um dos pontos mais interessantes discutidos durante o encontro foi a mudança de perspectiva sobre transformação digital.
É comum associar esse processo à implantação de novas ferramentas ou à criação de um e-commerce. No entanto, a verdadeira transformação começou muito antes da escolha da plataforma.
Ela começou quando o comportamento do consumidor mudou.
Hoje, antes mesmo de visitar uma farmácia, o cliente pesquisa produtos, compara preços, consulta avaliações e espera encontrar informações claras sobre disponibilidade, prazo de entrega e formas de pagamento.
Além disso, categorias como dermocosméticos, suplementos alimentares, vitaminas e produtos de higiene passaram a fazer parte da rotina de consumo dos brasileiros, aumentando a frequência de compra e a importância da fidelização.
Marcelo Dantas resumiu essa mudança em uma das frases mais marcantes do webinar:
Essa foi uma das mensagens centrais do encontro: a farmácia deixou de ser vista apenas como um ponto de necessidade emergencial e passou a ocupar um papel mais recorrente na rotina de consumo das pessoas.
Essa mudança de comportamento exige uma operação preparada para acompanhar uma jornada de compra muito mais dinâmica, na qual o consumidor espera transitar naturalmente entre os canais físico e digital.
Na prática, isso significa que o cliente não enxerga mais uma divisão entre loja física e e-commerce. Ele espera encontrar uma única marca, uma única experiência e um único padrão de atendimento.
O desafio da Farmarcas era muito maior do que lançar um e-commerce
Quando uma empresa decide iniciar sua operação digital, muitas vezes acredita que o maior desafio será escolher uma plataforma ou publicar produtos online.
No caso da Farmarcas, a realidade era completamente diferente.
Com milhares de lojas, diferentes operações regionais e uma estrutura associativista, o objetivo nunca foi simplesmente criar um canal de vendas.
Era preciso desenvolver uma operação digital capaz de crescer de forma sustentável, conectando pessoas, processos e tecnologia.
Durante o webinar, Marcelo Dantas destacou esse ponto de forma bastante clara:
Nesse contexto, o desafio da Farmarcas não era simplesmente vender online, mas construir uma operação digital sustentável, capaz de integrar lojas, processos, estoques e experiência do consumidor.
Essa visão mudou completamente a abordagem do projeto.
Em vez de pensar apenas na implantação de uma loja virtual, a Farmarcas passou a estruturar um ecossistema digital que contemplasse:
integração entre lojas físicas e canais digitais;
organização de um catálogo robusto;
sincronização de estoques;
padronização da experiência de compra;
governança da operação;
escalabilidade para acompanhar o crescimento da rede.
Cada decisão precisava considerar não apenas o presente, mas também a evolução da operação nos próximos anos.
Antes da implementação, veio o diagnóstico
Outro aprendizado importante compartilhado durante o webinar foi que grandes projetos de transformação digital não começam pela tecnologia.
Eles começam pelo entendimento do negócio.
Segundo Leandro Heitor, um dos primeiros passos da Econverse foi realizar um diagnóstico completo da operação da Farmarcas.
Antes de qualquer definição técnica, foi necessário compreender como funcionavam os processos internos, identificar gargalos, mapear integrações necessárias e entender as expectativas da empresa para o futuro.
Como explicou o Head de Operações da Econverse:
Antes da implementação, a Econverse partiu do entendimento do negócio. A leitura do projeto foi de que a tecnologia só faria sentido depois de um diagnóstico claro sobre operação, gargalos, integrações e objetivos de crescimento.
Esse trabalho permitiu definir uma arquitetura preparada para crescer sem gerar retrabalho ao longo do projeto.
Entre as principais frentes analisadas estavam:
arquitetura da loja virtual;
estrutura do catálogo;
navegação por categorias;
jornada de compra;
fluxos de checkout;
integração entre sistemas;
gestão operacional;
governança dos dados.
Esse diagnóstico também possibilitou estabelecer prioridades e criar uma estratégia capaz de acompanhar a evolução do negócio.
Foi justamente essa etapa que garantiu uma implementação mais consistente e preparada para os desafios de uma operação dessa dimensão.
O papel da Econverse na construção da operação digital
Ao longo do webinar, ficou evidente que a atuação da Econverse foi muito além da implementação tecnológica.
A empresa participou da construção da estratégia digital desde os primeiros momentos do projeto, atuando como parceira na definição da arquitetura da operação e na transformação dos objetivos de negócio em soluções práticas.
Isso incluiu a organização da estrutura da loja virtual, o desenho da experiência do usuário, a definição dos fluxos de navegação, a estruturação do catálogo, o planejamento das integrações e a preparação da operação para crescer de forma sustentável.
Segundo Leandro, um dos maiores desafios foi equilibrar simplicidade para o consumidor e eficiência operacional para a Farmarcas, mantendo a operação preparada para evoluir sem perder consistência.
Essa visão estratégica também permitiu que o projeto evoluísse ao longo da implementação, com ajustes de rota e decisões colaborativas entre as equipes.
Durante o webinar, Leandro resumiu essa filosofia em uma frase que sintetiza boa parte do projeto:
Um dos aprendizados reforçados foi que boa tecnologia potencializa uma estratégia bem construída, mas não substitui planejamento, processos e visão de negócio.
Essa talvez tenha sido uma das principais mensagens deixadas pelo encontro: tecnologia é um habilitador do crescimento, mas somente quando está conectada aos objetivos do negócio e sustentada por processos bem estruturados.
Por que a Wake foi a plataforma escolhida?
Em projetos de transformação digital, é comum que a escolha da plataforma seja tratada como o principal fator para o sucesso da operação. No entanto, durante o webinar, os especialistas reforçaram uma visão diferente: a tecnologia é um meio para atingir os objetivos do negócio — não o ponto de partida.
Depois de entender a operação da Farmarcas, mapear processos e definir a arquitetura ideal, a escolha da plataforma aconteceu de forma natural.
Segundo Leandro, a Wake foi selecionada por atender aos requisitos necessários para suportar uma operação complexa, distribuída nacionalmente e preparada para crescer.
Entre os diferenciais destacados durante o bate-papo estão:
Escalabilidade, para acompanhar a expansão da operação sem comprometer a performance;
Flexibilidade, permitindo evoluções conforme novas necessidades do negócio surgem;
Integrações robustas, essenciais para conectar estoque, sistemas e diferentes frentes da operação;
Gestão de catálogo, facilitando a administração de milhares de produtos;
Suporte ao omnichannel, promovendo uma experiência integrada entre o digital e as lojas físicas;
Capacidade de evolução, acompanhando o crescimento da Farmarcas no longo prazo.
Mais importante do que a tecnologia em si foi a forma como ela foi inserida na estratégia da empresa.
Como destacou Leandro durante o webinar:
A escolha da plataforma, portanto, precisava acompanhar a estratégia da Farmarcas e sustentar a evolução da operação no longo prazo, em vez de orientar o projeto de forma isolada.
Essa visão reforça uma lição importante para empresas que estão iniciando ou evoluindo suas operações digitais: trocar de plataforma, por si só, não resolve problemas estruturais. É preciso que a tecnologia esteja alinhada aos processos, aos objetivos e à estratégia de crescimento.
O que realmente gerou resultados?
Ao falar sobre os resultados do projeto, os participantes optaram por não compartilhar indicadores específicos. Ainda assim, apresentaram mudanças significativas percebidas após a implementação da operação digital.
Segundo Marcelo Dantas, um dos principais ganhos foi a evolução da maturidade digital da Farmarcas. A empresa passou a ter uma visão mais estratégica sobre o comportamento dos consumidores, compreendendo melhor sua jornada de compra e utilizando esses aprendizados para evoluir continuamente.
Outro ponto destacado foi o fortalecimento do canal digital como parte da estratégia da rede, ampliando sua participação na operação sem perder a integração com as lojas físicas.
Durante o webinar, também foram citados outros benefícios obtidos ao longo da jornada:
crescimento da recorrência de compras;
melhor experiência para o consumidor;
maior integração entre canais;
aumento da eficiência operacional;
evolução da gestão do catálogo;
simplificação da jornada de compra;
maior capacidade de adaptação da operação.
Na visão de Leandro Heitor, muitos desses resultados vieram de decisões que, à primeira vista, pareciam pequenas, mas tiveram grande impacto na experiência do cliente.
Entre elas estão a reorganização do catálogo, a simplificação do checkout, a implementação de estratégias de cross-sell e recomendações de produtos, além da construção de fluxos de navegação mais intuitivos.
Esses elementos mostram que o sucesso de uma operação digital raramente depende de uma única grande iniciativa. Na maioria das vezes, ele é resultado da soma de diversas melhorias implementadas ao longo do tempo.
Os principais aprendizados compartilhados durante o webinar
Embora o encontro tenha apresentado um case específico da Farmarcas, as reflexões discutidas podem ser aplicadas por empresas de diferentes segmentos que buscam acelerar sua transformação digital.
Ao longo da conversa, alguns ensinamentos apareceram de forma recorrente.
1. Comece pelo cliente
Toda transformação digital deve partir do entendimento das necessidades do consumidor. Antes de pensar em funcionalidades ou plataformas, é preciso compreender como o cliente compra, quais são suas expectativas e quais barreiras existem em sua jornada.
O primeiro aprendizado foi claro: a transformação digital precisa começar pelo cliente. Antes de definir ferramentas, é necessário entender como ele compra, quais expectativas possui e quais barreiras encontra na jornada.
2. Implementação é estratégia
Implementar um e-commerce não significa apenas desenvolver um site. É preciso estruturar processos, definir responsabilidades, organizar informações e construir uma operação preparada para crescer.
3. Pensar em escala desde o primeiro dia
Projetos digitais frequentemente começam pequenos, mas precisam ser construídos considerando o crescimento futuro. Muitas decisões tomadas no início do projeto tiveram como objetivo evitar retrabalho conforme a operação amadurecesse.
4. Tecnologia potencializa resultados — mas não faz milagres
Ao longo do webinar, os participantes reforçaram que nenhuma plataforma entrega resultados sozinha. Tecnologia é uma ferramenta; os resultados aparecem quando ela está conectada a processos bem definidos, equipes preparadas e objetivos claros.
5. Escolha parceiros que entendam o negócio
A transformação digital envolve decisões técnicas, mas também exige visão de negócio, proximidade, clareza de prioridades e capacidade de ajustar rota ao longo do caminho. Por isso, a escolha dos parceiros foi apresentada como uma decisão estratégica, não apenas operacional.
Dados e inteligência artificial serão protagonistas
Ao falar sobre os próximos passos da transformação digital, os especialistas apontaram alguns temas que devem ganhar ainda mais relevância nos próximos anos.
automação;
CRM;
personalização da experiência;
governança de dados;
estratégias omnichannel.
Segundo os participantes, empresas que conseguirem utilizar essas tecnologias de forma integrada estarão mais preparadas para oferecer experiências relevantes e aumentar sua competitividade.
Muito além de um case: uma visão sobre o futuro do varejo farmacêutico
Mais do que apresentar os bastidores da transformação digital da Farmarcas, o webinar trouxe uma reflexão importante sobre o momento vivido pelo varejo farmacêutico.
O consumidor mudou, os canais deixaram de competir entre si e a experiência passou a ser o principal diferencial competitivo.
Nesse contexto, iniciativas como essa mostram que construir uma operação digital preparada para escalar não depende apenas da escolha da tecnologia certa, mas da capacidade de integrar estratégia, processos, pessoas e inovação.
A jornada da Farmarcas demonstra que a transformação digital é um processo contínuo de evolução. Cada ajuste realizado ao longo do projeto contribuiu para tornar a operação mais eficiente, mais integrada e mais preparada para atender às expectativas de um consumidor cada vez mais conectado.
Como destacou Pedro Piramo no encerramento do webinar:
A principal mensagem do encontro foi que o digital deixou de ser apenas um canal complementar e passou a fazer parte da estratégia de crescimento das empresas.
Essa talvez seja a principal mensagem deixada pelo encontro.
Quer construir uma operação digital preparada para crescer?
A experiência compartilhada pela Farmarcas mostra que os maiores resultados surgem quando tecnologia e estratégia caminham juntas.
Se a sua empresa está iniciando ou acelerando sua transformação digital, contar com um parceiro especializado pode fazer toda a diferença para estruturar uma operação escalável, integrada e preparada para evoluir.
Na Econverse, combinamos consultoria estratégica, arquitetura de e-commerce, implementação de plataformas, integrações e otimização contínua para transformar desafios complexos em operações digitais de alta performance.
Fale com nossos especialistas e descubra como podemos ajudar sua empresa a construir uma operação digital preparada para escalar.